Eu...
Daniel Nobre Mendes, 78 anos, insólito desde que nasci,
chorão, mimado, enfadadiço, aprendiz de sonhos e maldosidades,
imoral, acrata, desumanizadamente humanista de feição insurrecta
e ternurenta, amigo e inimigo ao mesmo tempo, ruim poeta
endoidecido e afeito a descontextualizações e outras coisas, eu,
sou eu a tremer, febril, sou eu que me reconheço no meu bilhete de
identidade intransmissivel que não troco por nada- não sou
cambista, não tenho bancos nem agencias de classificação de
risco de crédito nem tenho preço de venda nem de compra nem
nada que me comprometa com a sociedade a não ser que me
encontro do lado de lá da trincheira para fazer um fogo continuado a
quem destroça, um fogo de lágrimas de artificio nesta fabulosa
pirotécnia que muitas vezes os meus olhos produz, cegamente, e
que se apega e apaga dentro de um oceano verde e fundo no
tutano do meu coração pois o fogo, o vento e a água sempre se
deram os braços dentro de mim e... eu sou também um fogo
desvairado e devorador, um vento bravio e agreste à solta, e uma
água prateada que completa quase todo o meu ser ondulante mas
finito.
Sempre fiz o fogo da e na guerra das ternuras e das
inclusões, sempre me debati pelo amor- ainda, não ainda, agora, já,
amo as crianças, as mulheres e os homens, os livros, a música, a
poesia, a liberdade e a luz como uma borboleta alada e rodopiante
á volta de todos os fogachos que me chamam para deles sorver o
alimento que me segura de pé como as árvores que, mesmo feitas
em carvão negro, não tombam mas ainda se renovam para voltar a
florir.
Daniel Nobre Mendes, 78 anos, casado há 43, pai muito
impertinente, mostrei ao filho os caminhos das escolhas a que não
foi alheia a minha amada, mostrei que a desobediência é sempre
preferivel aos cabrestos e que fazer silêncio é pactuar com as
injustiças ou delas vir a ser um comparsa passiva ou activamente
colaborante mas, claro, isto não se faz impunemente e tem um
preço elevadíssimo na maioria das vezes e principalmente quando
se vive em paises politicamente violentos e ditaturiais cujo braço é
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um elo de aço que se engancha com o torcionarismo religioso e
com a idiotia dos próceres, ensinei o amor do próximo, a destruição
de idolos, a procura incessante da verdade sem prejuizo de que a
maior parte das vezes só a dúvida sistemática pode conduzir à
verdade maior e mais completa, ensinei o desassossego interior
como uma serena maneira de procurar e ir mais além do que este
esmolambado presente indigno, indecoroso, onde a vigarice tem
eco e a desumanidade faz covil e sombra, ensinei o sorriso casto
das flores dependuradas nos cabelos loiros dos dias das crianças
buliçosas que brincam à beira dos lagos verdes e mansos, e,
sobretudo, mostrei o caminho esfusiante da luz, sim, dessa luz
rútila, luz que purifica e, ao purificar, abre dentro de nós novas
alamedas que conduzem a outros sóis mais brilhantes de que
ficamos mais ávidos ainda- ensinei como meta o infinito e como
caminho uma alameda larga, sem fim mas, claro, não se ensina
sem dor e não se aprende sem solidão, ensinar e aprender são dor
e solidão puras porque acabam por conduzir ao reconhecimento de
que só nos pertencemos a nós mesmos quer quando estejamos a
olhar para dentro da interioridade do nosso pensamento quer ainda
quando levantamos os olhos e verificamos que na paisagem
redonda se encontram os outros que amamos e lhes dizemos que
estamos aqui para eles e para o que der e vier- a solidão e a dor
são uma condição imposta a quem pretende ensinar e aprender
formas diferentes de estar aqui, desobediente e insirrecto e a quem
as assimila como nova forma de comportamento e acção e,
principalmente, quando se entendeu já que, nascer, existir e morrer
são outras formas de sofrimento e solidão com um sujeito nulo a
que os oligofrénicos se rendem, sim, a esse deus criador de nada
que afirmam que tudo é um castigo redentor- tolos, louvaminhas,
hipócritas, cinicos mas, irremediavente estúpidos ."As provas da
importância da estupidez nos assuntos humanos e da consequente
necessidade do seu cultivo são tão esmagadoras quanto as da
inadequação da inteligência num mundo que não foi feito à sua
medida", afirmou o professor Vítor Rodrigues. E muito mais gravoso
seja que "estamos tão estreitamente familiarizados com a estupidez
que já nem damos conta do grau em que se insinua nas nossas
vidas e as influencias que sobre nós se vão abatendo”. "O estúpido
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é alguém que, para resistir à inteligência, estreita a sua mente,
ignora informação, fecha-se em si mesmo. Retrai-se perante toda a
dilatação de horizontes induzida pela inteligência. A estupidez pode
ser parcelar ou generalizada a todo o aparelho psíquico,
espontânea ou cultivada, amplamente manifesta ou subtil",
denuncia aquele psicólogo.
A estupidez é o alicerce, a bandeira e a magnum opus das
sociedades da nossa hodiernidade.
A solidão e a dor são inerentes ao rosto daqueles que se
desalinham e se tornam centrifugos sempre que se extasiam ao
contemplar as girândolas do conhecimento!
Daniel Nobre Mendes, 78 anos, anarcohumanista sem pátria,
com toda esta familia humana de quase oito biliões, companheiro
das flores, dos vagabundos, das estrelas, da música e de tudo o
que é belo, amo as tempestades, os loucos, os depravados sem
moral que não seja aquela da não segregação porque para
segregado basto eu que não pertenço nem vou no rebanho nem
nunca permiti as palas nos olhos, essas viseiras opacamente
castrantes que jungem o olhar cego dos animais de tiro ao chão- eu
olho os longes, as borrascas torrenciais, as procelas frenéticas, eu
amo o tombar límpido dos dias alourados nos horizontes
afogueados de cores, eu sou tão natural como um floco de neve
pura ou como um diamantino suspiro de qualquer bebé suspenso e
acarihado pelos ternos afagos da sua mãe, ah! que ainda bem que
o instinto preservou a ternura e a criação culltural humana foi e é
mais poderosa erigindo a prumo a fabulosa noção de familia
universal sem fronteiras para lá das redutoras e facínoras atitudes
chauvinistas ideológicas dos tarados dos radicais holocaustos
alemão, da URSS, da China e por aí afora no corpo e na alma da
humanidade mais do assanhado e brutal neoliberalismo imperialista
neonazifacistacomunista insurgente dos nossos tempos, óptimo
observar que a familia existe e a flor continua a exalar clarões de
perfumes ensolarados, ah! ainda bem que existo e o observo com
olhos claramente lúcidos numa exaltação de júbilo e amor por tudo
a que um sopro súbtil explicável dá vida e luminosidade, sim,
luminosidade que não vem de outro lado a não ser das nossas
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próprias proteínas organizadas que excluem essa avantesma
sombria a que a sotaina negra apelidou de deus para que fossemos
todos broncos, submissos, decemente acarneirados para se poder
ter um prémio de consolação ou um castigo na eternidade- que
vigaristas, que pútridos abutres, ai, que suinicultura esta, a da
criação!
Daniel Nobre Mendes, 78 anos, estudioso inveterado, curioso
apaixonado, honesto, verdadeiro, não tolero injustiças, revolto-me e
bato-me com tudo e por tudo que diz respeito aos outros mas que
também é meu, abato-me, em bloco, como uma bomba destruidora
por sobre tudo o que a minha mira e pontaria emoldura e atinge, ah!
mas as minhas explosões são apenas cápsulas de flores embutidas
em ogivas de ternura abrangente que uma balistica de amor
tranversal faz transportar para todos os lugares onde qualquer ser
humano exista como eu, a minha violência é a compreensão de
tudo, ah! que desgraça, esta desgraça que é minha- eu sou apenas
a expressão cabal do reconhecimmento subjectivo de uma
magoada impotência objectiva de actuação que gerou todo o meu
revolucioarismo romântico de estar aqui a semear palavras na
alvura das minhas noites sem sono, impertubável ao alarido do
mundo julgando que assim é que se mudam as realidades e se
salvam as pessoas, ah! vileza esta que me devora, ah! hoje
morreram no Mediterrâneo europeu e civilizado dezenas de
perseguidos a fugir para cá e os Melo, os Álvaro, os Fernandes e
mais toda essa corja católica vetaram, escarraram e não salvaram,
ah! Daniel Nobre Mendes, lúcido, culto, rebelde, olha, és um in
carnare do suplício de Tãntalo que a cultura pariu precisamente
neste mesmo Meiterrâneo e por isso nem bebes a água fresca da
tua secura nem comes os frutos amadurados da tua fome, olha, vou
à merda...
Daniel Nobre Mendes, 78 anos, insubmisso, provocador e
vaidoso quanto basta quando perto dos poderosos, humilimo
quando estou abraçado aos simples, nunca indiferente seja ao que
for, atiro-me à crista da onda gigante e inundo, derrubo, destruo,
sim, destruo como a falha tectónica de San Andreas prestes a
provocar uma monumental mortandade californeana de vulto, está
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previsto pelos sismólogos, destemido, enfrentei e pego pelos cornos
afiados as feras reais à minha beira ou as imaginárias que
constantemente me vendem o que não corresponde ao mundo das
realidades que o atravessam, atravessando-me, sim, os politicos, os
sindicalistas, os acivistas, a chamada comunnicação social, os
religiosos, toda a escória, todos os escroques que vendem
inverdades, traficam falsidades lucrativas, barrigas prenhas, bocas
comilonas, estômagos insaciáveis, tripas que fedem, enriquecem e
teimam em embrutecer os dias da minha vivência mas não
conseguem porque sou uma fúria indomável beijada pelas flores
multicoloridas do meu pensamento- e isso é só o que tenho e posso
e quero oferecer a toda a gente porque é o lidímo produto bordado
a ouro na sagrada bandeira da minha liberdade mental de recusa e
de escolha e eu escolhi pensar para poder conceber, ser
confrontado e confrontar, escolhi não ser escravizado, escolhi não
ser colonizado, escolhi a minha criação, optei por estar sozinho mas
ser inteiro com os outros, com os que cá estão já e com aqueles
que hão-de chegar amanhã, escolhi a não servidão e enforquei
todas as hipotecas- não contem comigo nem para aceitar ou fazer
propagandas reles de caça votos como os caciques e trauliteiros da
ordem estabelecida nem com bom-mocismos pregadores de
limpidezes partidárias nem com quaisquer outras crededitações
malabares que possam promover todas as formas de aberração
oficial ou não, cultural, politica, social, religiosa e tudo mas tudo em
que não cravo o sinete em brasa do desconchavo- não existo para
isso, ouviram, seus intrujões, não contem comigo, ouviram bem,
seus polichinelos esfarrapados do circo das feras?
Daniel Nobre Mendes, 78 anos, vou pelo sonho, vou pelo
perigo, um perigo de abraços e beijos, um perigo contagiante,
pandémico, vou sim, vou pela glória de saber que tenho oito mil
milhões de seres humanos à minha espera, sim, vou ao seu
encontro, meus irmãos e....encontrar-nos-emos para fazer a festa
da vida no futuro mas ainda não sei como, onde e quando esse dia
me sorri nas palmas das mãos abertas como girassóis, por vocação
concebida e criada, os Doze girassóis numa jarra, do pintor
holandès apátrida Vincent van Gohg, como realidade viva da luz e
da cor derramadas!
A DITA E O BALDE - ANEXOS
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
quinta-feira, 7 de abril de 2016
CARTAS PARA Q.
Niassa, Atlântico, 1 de Abril de 1971
Q.,
Há frases que,
recorrentemente, a propósito de isto ou de aquilo ou, por vezes, sem propósito
nenhum, me vêm à memória. Creio, de resto, que o mesmo acontece com muita
gente. Quantas vezes citei: «Muitos anos depois, diante do pelotão de
fuzilamento, o coronel Aureliano Buendia haveria de recordar aquela tarde
remota em que o pai o levou a conhecer o gelo» e tive como resposta imediata da
pessoa que me escutava: «Gabriel Garcia Márquez - Cem Anos de Solidão».
Hoje de manhã, ainda um pouco ensonado e saindo devagar de uma noite mal dormida, em luta acesa com um vómito que o balanço do navio permanentemente convoca, no meio deste mar violento que logo à saída do Tejo nos recebeu de mau humor, dei por mim a sussurrar para as paredes do camarote «Um dia de manhã, ao acordar dos seus sonhos inquietos, Gugor Samsa deu por si em cima da cama, transformado num insecto monstruoso» e, à falta de interlocutor, eu mesmo acrescentei: « Franz Kafka - A Metamorfose».
Hoje de manhã, ainda um pouco ensonado e saindo devagar de uma noite mal dormida, em luta acesa com um vómito que o balanço do navio permanentemente convoca, no meio deste mar violento que logo à saída do Tejo nos recebeu de mau humor, dei por mim a sussurrar para as paredes do camarote «Um dia de manhã, ao acordar dos seus sonhos inquietos, Gugor Samsa deu por si em cima da cama, transformado num insecto monstruoso» e, à falta de interlocutor, eu mesmo acrescentei: « Franz Kafka - A Metamorfose».
Não serei um insecto
monstruoso, embora ache que o camuflado, com a bizarria das suas cores, poderia
dar uma pele adequada a um bichinho dessa espécie. Talvez sejam só os
sonhos inquietos e as inglórias insónias que adivinho para os próximos dois anos,
se os conseguir viver e ,vivendo, para os anos seguintes se as marcas ficarem
fundas e a memória começar a sangrar (stress pós -traumático de guerra se
chama e nas Américas se estuda, importação do Vietname, manias de ricos, lá
vamos nós dizendo na nossa orgulhosa e cantada pobreza franciscana que se
contenta com um piedoso 'apanhado pelo clima'). Talvez sejam as tristezas
acordadas e repetidas que já vivi, vivo e certamente continuarei a viver neste
Portugal de Além e Aquém Mar, se ao Aquém conseguir regressar são e salvo, como
se diz, e eu espero ver acontecer. Que a ausência de Deus venha em nosso
auxílio (inspiração Holderliniana). Pois que aconteça e eu esteja cá para
ver, mas sem essa metamorfose monstruosa de que foi vítima o nosso amigo Gugor Samsa
e pela qual têm passado, as mais das vezes sem darem por isso, tantos
soldadinhos mansos e de chumbo moldável nascidos e criados tanto nas cidades
grandes como nas berças, as mais das vezes em famílias respeitáveis e
respeitadoras, gentes de princípios, de missas e comunhões, até, obedientes a
Deus e a quem manda (Salazar! Salazar! Salazar!) e logo, quase por artes
mágicas ou milagre da Nossa Senhora que nos apareceu para anunciar a conversão
da Rússia, metamorfoseados em matadores exímios e coleccionadores de dedos e
orelhas de pretos conservados em frascos de álcool. E viva a ditosa
pátria que tais filhos tem. Viva!
Nicolas Guillen, lembras-te?
Soldado no quiero ser,
Que así no habrán de mandarme
A herir al niño y al negro,
Y al infeliz que no tiene
Qué comer.
Soldado así no he de ser
Enfim, fados e fátimas, falta o futebol. E, já agora, para promover a trilogia a tetralogia dos lusos «éfes», agora em vernáculo casernícola, desabafante, desopilante : foda-se! E deixemos assim a tentativa de psicanálise a pataco (como o prometido bacalhau em tempo de eleições livres) e fiquemos pelos aconteceres banais destes dias de chumbo.
Ontem, às sete da manhã, depois de sair de tua casa, descendo pela rua da Creche, lá onde a morte (com a pide) saiu à rua para se cruzar com o escultor José Dias Coelho, uma miúda, talvez liceal de últimos anos, alta, bonita, segura, um pouco vaidosa, talvez, prometendo já mulher e peras para anos vindouros, daquelas a quem os pipis de bairro gostam de atirar o piropo "Tens mais salero no andar que o Cordobés no toureio", vendo-me fardado e com os sacos de lona às costas, fixou-me e, certamente, pensando no namoradito que, de buço ralo, já se preocupa com o dia fatal da ida às "sortes" e com os azares que se seguirão, murmurou de forma quase imperceptível: ‘nunca mais acaba a guerra’. Logo a seguir, na pastelaria ‘Taiti’, no largo do Calvário, onde entrei para beber uma ‘italiana’, uma mulher igualmente bonita, mas já entrada em anos, espontâneamente, declinou o nome (Olga) e um curriculum breve: vendedora de frutas e legumes, com banca no mercado de Alcântara e fez questão de me pagar o café impondo regras para a retribuição: ‘Se regressar com saúde do calvário para onde vai, não se esqueça de voltar a este Calvário para me retribuir com uma amêndoa amarga’. «Prometo», disse, depois de agradecer.
Já no táxi, que apanhei junto do cinema ’Promotora’, para o cais da Rocha do Conde de Óbidos, o taxista incentivou-me a ‘matar os pretos todos, esses terroristas de merda, e acabar depressa com a guerra’. Não lhe respondi. Limitei-me a franzir a cara e imitar um sorriso amarelo para o espelho retrovisor do carro, por onde ele me observava. Já no cais, depois de tirar do porta-bagagens os sacos de lona e de receber o dinheiro do frete voltou a dizer-me, desta vez com uma já íntima palmadinha no ombro, deixando escapar o seu hálito bagaceiro de mata-bicho recente: «não se esqueça de acabar com os pretos». Respondi-lhe, também com uma palmadinha no ombro, e com voz suave: «E você não se esqueça de ir para o caralho e leve consigo todos os taxistas que gostam de transportar clientes com cruzes de guerra ao peito e outras cruzes às costas. Ficou de boca aberta, mas calado. Nem gorjeta levou! Virei-lhe as costas e caminhei na direcção de um grupo de soldados que fumavam em silêncio.
E:
(Quem poderia aaquele tempo falar em outra cousa
senam em armas e em percebimento de guerra?)
Dez anos. São dez anos já e a guerra vai cansando, a guerra vai ferindo, a guerra vai matando. E não há censura que consiga impedir que a evidência agrida os sentidos das pessoas, por mais distraídas que estejam, não há repressão que ponha fim aos sussurros crescentes. E as pessoas vão sabendo, porque ouvem, porque vêem, dos feridos, que deficientes ficarão, do Hospital da Estrela e do Anexo de Campolide, das próteses na Alemanha e do regresso pela base aérea de Beja; elas sabem dos cemitérios com campas de jovens no talhão dos combatentes e de outros ’mortos sem sepultura’ que por terras de África ficaram; elas sabem de filhos, sobrinhos, cunhados, primos, namorados, vizinhos que partiram jovens, por vezes quase sem barba, e, meses depois, vinte e quatro no máximo, regressaram velhos e doentes de tropicais doenças e de loucuras várias (o clima, apanhados pelo clima, dizem alguns com ligeireza e, por vezes, riem mesmo). Sabem e vão falando ainda que em voz baixa e mansa. E falam mesmo as pessoas que se recusam a acreditar que a expansão portuguesa (da fé e do império), tão orgulhosamente propagandeada nos compêndios do regime, há muito entrou em inevitável e imparável refluxo. Embora pensando em vitórias impossíveis, também elas querem o fim da guerra.
Bom, avance a marinha, submarinos à frente, como dizem os militares sem que ninguém saiba muito bem o que a frase quer dizer, e reembarquemos no ‘Niassa’ que se despediu do rebocador com o toque cavo e quase sinistro da sirene e que aos nossos ouvidos soou a tiro de partida para corredores de corta-mato que se sentem entregues aos bichos, agora navio a navegar neste Atlântico -mar lusitano, como lhe chamava a propaganda do Estado Novo, receosa dos olhares gulosos que de todos os cardeais e políticos pontos se derramavam sobre as estratégicas ilhas dos Açores e Cabo Verde, em tempo de outra guerra (a mundial e segunda), sem bandeira, pirata, pois, aos olhos dos marítimos e internacionais direitos, por segurança e medo anunciado de aviões de reconhecimento que de costa africana podem partir para ver e denunciar. Dizem-me, e eu acredito, que navio mercante de transporte de tropas adquire estatuto de vaso de guerra à luz das normas de bom comportamento aceites por todos em convénios internacionais, pacíficos países e beligerantes parceiros. Navegação lenta, para a Guiné lentamente e sem força ( com dez anos de cansaço) que o estado do mar a isso obriga, diz o comandante da nau.
O vómito, permanente há mais de vinte e quatro horas, provocado pelo balanço de vagas enormes e incentivado pelo cheiro a vomitado que sai dos porões e se mistura com o enjoativo cheiro da tinta fresca com que o vaso se enfeitou em Lisboa. Insuportável. Como insuportável e obscena é esta divisão de classes respeitada mesmo quando se trata de carne para canhão: oficiais na primeira classe, sargentos na segunda, cabos e soldados no porão que já foi de gado e de mercadorias, em beliches de três andares.
(Quem poderia aaquele tempo falar em outra cousa
senam em armas e em percebimento de guerra?)
Dez anos. São dez anos já e a guerra vai cansando, a guerra vai ferindo, a guerra vai matando. E não há censura que consiga impedir que a evidência agrida os sentidos das pessoas, por mais distraídas que estejam, não há repressão que ponha fim aos sussurros crescentes. E as pessoas vão sabendo, porque ouvem, porque vêem, dos feridos, que deficientes ficarão, do Hospital da Estrela e do Anexo de Campolide, das próteses na Alemanha e do regresso pela base aérea de Beja; elas sabem dos cemitérios com campas de jovens no talhão dos combatentes e de outros ’mortos sem sepultura’ que por terras de África ficaram; elas sabem de filhos, sobrinhos, cunhados, primos, namorados, vizinhos que partiram jovens, por vezes quase sem barba, e, meses depois, vinte e quatro no máximo, regressaram velhos e doentes de tropicais doenças e de loucuras várias (o clima, apanhados pelo clima, dizem alguns com ligeireza e, por vezes, riem mesmo). Sabem e vão falando ainda que em voz baixa e mansa. E falam mesmo as pessoas que se recusam a acreditar que a expansão portuguesa (da fé e do império), tão orgulhosamente propagandeada nos compêndios do regime, há muito entrou em inevitável e imparável refluxo. Embora pensando em vitórias impossíveis, também elas querem o fim da guerra.
Bom, avance a marinha, submarinos à frente, como dizem os militares sem que ninguém saiba muito bem o que a frase quer dizer, e reembarquemos no ‘Niassa’ que se despediu do rebocador com o toque cavo e quase sinistro da sirene e que aos nossos ouvidos soou a tiro de partida para corredores de corta-mato que se sentem entregues aos bichos, agora navio a navegar neste Atlântico -mar lusitano, como lhe chamava a propaganda do Estado Novo, receosa dos olhares gulosos que de todos os cardeais e políticos pontos se derramavam sobre as estratégicas ilhas dos Açores e Cabo Verde, em tempo de outra guerra (a mundial e segunda), sem bandeira, pirata, pois, aos olhos dos marítimos e internacionais direitos, por segurança e medo anunciado de aviões de reconhecimento que de costa africana podem partir para ver e denunciar. Dizem-me, e eu acredito, que navio mercante de transporte de tropas adquire estatuto de vaso de guerra à luz das normas de bom comportamento aceites por todos em convénios internacionais, pacíficos países e beligerantes parceiros. Navegação lenta, para a Guiné lentamente e sem força ( com dez anos de cansaço) que o estado do mar a isso obriga, diz o comandante da nau.
O vómito, permanente há mais de vinte e quatro horas, provocado pelo balanço de vagas enormes e incentivado pelo cheiro a vomitado que sai dos porões e se mistura com o enjoativo cheiro da tinta fresca com que o vaso se enfeitou em Lisboa. Insuportável. Como insuportável e obscena é esta divisão de classes respeitada mesmo quando se trata de carne para canhão: oficiais na primeira classe, sargentos na segunda, cabos e soldados no porão que já foi de gado e de mercadorias, em beliches de três andares.
O 'Niassa'. Lembro-me dos refugiados da guerra civil espanhola, fugidos da fúria assassina das tropas de Franco, caudilho de Espanha pela graça de Diós, abençoado pela Igreja, a católica, a apostólica, a romana, a mesma, a mesmíssima, que agora abençoa a guerra colonial, a nova cruzada em África, que espalha a mensagem do Senhor no meio de bombas de napalm e metralha de HK e G3. Louvada seja a acção de Sua Eminência, o cardeal, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, amigo e cúmplice do assassino de Santa Comba, agora só cúmplice de seu sucessor. O 'Niassa'. E lembro-me dos republicanos espanhóis derrotados por Franco, esse generalíssimo de opereta que, com a ajuda dos seus amigos Adolfo e Benito, construiu um trono em cima de um milhão de cadáveres. O 'Niassa'. E lembro-me dos refugiados a fugir das adagas ferozes de mouros e falangistas recebidos em campos de concentração, em Barrancos, onde só o tenente Seixas, da Guarda Fiscal, lhes dispensou um tratamento humanitário, contra ventos, marés e ordens superiores vindas dos civis da pide e dos militares da guarda republicana e do exército. Pagou cara a dignidade, o tenente Seixas, mas sempre a dignidade teve um preço - e nunca baixo. Leis do mercado: coisa rara, coisa cara. Assim com a dignidade.
[No coração deste Rei
ferveu sempre tal zelo da honra de Cristo, e amplificação da sua fé, que não
perdoando a muitos gastos de sua fazenda, nem à morte de seus naturais, fez
adorar o precioso sangue de Cristo aonde dantes o dos brutos animais se
sacrificava: e isto tão longe de seus Reinos, e Senhorios, quão perto ele está
no paraíso, que por esta empresa mereceu. No seu tempo em Guiné, e toda a Costa
de Etiópia os negros, que então viviam nas cavernas da terra ao modo de brutos
animais, sem polícia humana, sem lei, sem figura de Justiça, sem direito
humano, nem divino: deixadas as trevas em que viviam, levantaram Templos a
Cristo, em que é louvado seu nome, e altares, em que se oferece cada dia seu
corpo, e sangue santíssimo.]
E de tudo isto me lembro porque foi no ‘Niassa’ que esses refugiados viajaram, de Lisboa para a Galiza, depois de encurralados uma noite na praça de touros de Moura. Estes saíram vivos e para o comboio. Os que pernoitaram, e diz-se que foram muitos, uns quatro mil, tempos antes, na praça de touros de Badajoz tiveram pior sorte: saíram mortos e directamente para a vala comum. E de comboio passaram por Beja onde, na estação rigorosamente vigiada, como devem estar todas as estações quando os tempos são de borrasca, numa paragem breve, receberam, de mãos rápidas e clandestinas, pão e cigarros. O Melo Garrido testemunhou e, numa noite fria, no café 'Luiz da Rocha, vindos de uma sessão de propaganda da CDE, lá pelos idos de 1969, ele como jornalista do 'Diário do Alentejo', eu como activista, me contou.
E de tudo isto me lembro porque foi no ‘Niassa’ que esses refugiados viajaram, de Lisboa para a Galiza, depois de encurralados uma noite na praça de touros de Moura. Estes saíram vivos e para o comboio. Os que pernoitaram, e diz-se que foram muitos, uns quatro mil, tempos antes, na praça de touros de Badajoz tiveram pior sorte: saíram mortos e directamente para a vala comum. E de comboio passaram por Beja onde, na estação rigorosamente vigiada, como devem estar todas as estações quando os tempos são de borrasca, numa paragem breve, receberam, de mãos rápidas e clandestinas, pão e cigarros. O Melo Garrido testemunhou e, numa noite fria, no café 'Luiz da Rocha, vindos de uma sessão de propaganda da CDE, lá pelos idos de 1969, ele como jornalista do 'Diário do Alentejo', eu como activista, me contou.
O 'Niassa', se um dia falasse, tinha muitas histórias tristes para contar.
E, agora, a vidinha a bordo, um dia passado - e os outros cinco que faltam não irão ser muito diferentes- resume-se a isto: levantar, depois de uma noite literalmente agitada pelas águas em que o pouco sono que chegou só se instalou depois de eu ter posto uma almofada nas costas, a fazer de calço de travão, para me travar o corpo e eu não cair do beliche e andar à reboleta pelos cantos do camarote.
Pequenalmoçar frugalmente, maneira de dizer, porque, de facto, não comi nada, apesar da oferta variada e bem apresentada (estou a falar da primeira classe, da classe de oficiais, é preciso não esquecer), apetecível aos olhos de todos e aos estômagos dos mais resistentes ao enjoo. Café, muito café com cigarros, muitos cigarros - vim bem abastecido de ‘Gitanes’ que me trouxeste de Paris. Larachas, algumas larachas, para fingir participação na conversa que à minha volta passa e, de todo, não me interessa, maneira de mascarar a solidão e a marginalidade que sinto. Serve para passar o tempo. E a passagem do tempo é tudo quanto quero, pelo menos, nos próximos dois anos para que o soldadinho, finalmente, volte do outro lado do mar e não haja mais uma menina de olhos tristes.
Passeio pelos decks, com cuidado para não cair que o mar não se mostra colaborante. Na segunda classe, a dos sargentos e furriéis, larachas, mais larachas. E mais uma descida, mais uma viagem, como nos carrosséis de feira, até à gente de terceira classe, como no transatlântico do José Rodrigues Miguéis, gente que, saindo do nada irá chegar à miséria (Marx, o Groucho), só que, desta vez, fardados: cabos e soldados. E no regresso a Lisboa, trará o ‘Niassa’ mais uma classe de passageiros, os de quarta, num porão ainda mais fundo e que às famílias serão entregues em urnas de chumbo cobertas pela bandeira nacional com direito a funeral ao som de balas de salva, no cemitério da aldeia. Mortos ou vivos mas nunca derrotados, assim regressarão, cumprindo as ordens dos tiranos e tiranetes que o fazem em nome dos superiores interesses da nação. A bem da Nação, sempre a bem da Nação.
E a descida acaba aqui, que o cheiro vindo do porão puxa o vómito. Nem a laracha consente. É zarpar e depressa. Para o deck da primeira classe que vai mais higiénico e tem melhores vistas (para o mar e só para o mar, mar por todos os lados). Leitura tentada mas, por impossível - cabeça e mar não ajudam - logo abandonada. O mar. A contemplação, primeiro, o tédio, depois. Assim será, certamente, até Bissau. Faltam cinco dias.
O almoço - servido por criados, também eles fardados a rigor, mas civil, com os casacos brancos e laços pretos e os salamaleques que sempre usaram nas viagens e cruzeiros turísticos e ainda não esqueceram, respeitando a hierarquia imposta pelos regulamentos militares que desmultiplica a primeira classe em mais três classes: a primeira, dos oficiais superiores, a segunda, dos capitães e a terceira, dos subalternos - é composto por pratos aparentemente bem confeccionados mas que não provo. Fico-me pela sopa servida em prato que não posso largar sob pena dele voar para o meu colo ou para o colo do vizinho da frente.
Depois, café, mais café. Cigarros, mais cigarros. Recuso o álcool, para almareio já tenho que baste e o estômago não está para esses convites. Pasmo, até, de ver tanta bebedeira a bordo. A seguir, a carteação que se pratica para todos os gostos, da paciência à sueca, do ‘king’ ao bridge, a feijões ou a dinheiro mas, basicamente, com um único fim: disfarçar a lentidão dos ponteiros dos relógios.
Ao jantar e depois dele, tudo, se não igual, pelo menos semelhante mas, desta vez, com a actuação da orquestra do navio que bem se esforça para amenizar a tristeza que, por aqui, é moeda corrente.
Conheço o saxofonista que tocou na ‘Pax-Júlia’, orquestra lá do burgo, Beja depois dos romanos e dos árabes, que animava os inesquecíveis bailes da minha juventude (capa e batina, meninas atracadas, caras encostadas, ligeiros toques de coxas, discretas apalpadelas, os avanços possíveis, com tímidos e disfarçados gozos de ambas as partes, longe dos olhares dos pais - no bar, no cervejame - e das mães - nas mesas cheias de pirolitos e laranjadas - vigilantes, guardadoras dos bons costumes. Lá íamos, coração aos saltos pelo medo de uma 'tampa' e, cerimoniosamente saía "A menina dança?". E depois eram os tangos, as valsas, os 'paso dobles', o 'twist', o ié-ié, folia até de madrugada. Bons tempos, digo eu agora, parecendo um velho a desfiar memórias.
E, depois das valentes musicadelas, outra vez as cartas: mais sueca, mais king, mais bridge, mais paciências. E amanhã e depois e depois, certamente, assim será. Como nota humorística nesta noite monótona, apenas a caça ao alferes iniciada por um tenente-capelão da Marinha, maricão exibicionista, que nos acompanha e se mostra mais interessado na carne dos homens do que na salvação da sua alma, irremediavelmente dividido entre o desejo de ver o ‘Niassa‘ transformado, por artes mágicas, numa mini-Sodoma e a doutrina que o obriga à obediência aos divinos Mandamentos. Não teve sorte na caçada o representante da lusa cleresia. Felizmente, a mim não me veio farejar e se o tivesse feito lá teria de o mandar fazer companhia ao taxista que me deixou no Cais da Rocha do Conde de Óbidos.
E, agora, a vidinha a bordo, um dia passado - e os outros cinco que faltam não irão ser muito diferentes- resume-se a isto: levantar, depois de uma noite literalmente agitada pelas águas em que o pouco sono que chegou só se instalou depois de eu ter posto uma almofada nas costas, a fazer de calço de travão, para me travar o corpo e eu não cair do beliche e andar à reboleta pelos cantos do camarote.
Pequenalmoçar frugalmente, maneira de dizer, porque, de facto, não comi nada, apesar da oferta variada e bem apresentada (estou a falar da primeira classe, da classe de oficiais, é preciso não esquecer), apetecível aos olhos de todos e aos estômagos dos mais resistentes ao enjoo. Café, muito café com cigarros, muitos cigarros - vim bem abastecido de ‘Gitanes’ que me trouxeste de Paris. Larachas, algumas larachas, para fingir participação na conversa que à minha volta passa e, de todo, não me interessa, maneira de mascarar a solidão e a marginalidade que sinto. Serve para passar o tempo. E a passagem do tempo é tudo quanto quero, pelo menos, nos próximos dois anos para que o soldadinho, finalmente, volte do outro lado do mar e não haja mais uma menina de olhos tristes.
Passeio pelos decks, com cuidado para não cair que o mar não se mostra colaborante. Na segunda classe, a dos sargentos e furriéis, larachas, mais larachas. E mais uma descida, mais uma viagem, como nos carrosséis de feira, até à gente de terceira classe, como no transatlântico do José Rodrigues Miguéis, gente que, saindo do nada irá chegar à miséria (Marx, o Groucho), só que, desta vez, fardados: cabos e soldados. E no regresso a Lisboa, trará o ‘Niassa’ mais uma classe de passageiros, os de quarta, num porão ainda mais fundo e que às famílias serão entregues em urnas de chumbo cobertas pela bandeira nacional com direito a funeral ao som de balas de salva, no cemitério da aldeia. Mortos ou vivos mas nunca derrotados, assim regressarão, cumprindo as ordens dos tiranos e tiranetes que o fazem em nome dos superiores interesses da nação. A bem da Nação, sempre a bem da Nação.
E a descida acaba aqui, que o cheiro vindo do porão puxa o vómito. Nem a laracha consente. É zarpar e depressa. Para o deck da primeira classe que vai mais higiénico e tem melhores vistas (para o mar e só para o mar, mar por todos os lados). Leitura tentada mas, por impossível - cabeça e mar não ajudam - logo abandonada. O mar. A contemplação, primeiro, o tédio, depois. Assim será, certamente, até Bissau. Faltam cinco dias.
O almoço - servido por criados, também eles fardados a rigor, mas civil, com os casacos brancos e laços pretos e os salamaleques que sempre usaram nas viagens e cruzeiros turísticos e ainda não esqueceram, respeitando a hierarquia imposta pelos regulamentos militares que desmultiplica a primeira classe em mais três classes: a primeira, dos oficiais superiores, a segunda, dos capitães e a terceira, dos subalternos - é composto por pratos aparentemente bem confeccionados mas que não provo. Fico-me pela sopa servida em prato que não posso largar sob pena dele voar para o meu colo ou para o colo do vizinho da frente.
Depois, café, mais café. Cigarros, mais cigarros. Recuso o álcool, para almareio já tenho que baste e o estômago não está para esses convites. Pasmo, até, de ver tanta bebedeira a bordo. A seguir, a carteação que se pratica para todos os gostos, da paciência à sueca, do ‘king’ ao bridge, a feijões ou a dinheiro mas, basicamente, com um único fim: disfarçar a lentidão dos ponteiros dos relógios.
Ao jantar e depois dele, tudo, se não igual, pelo menos semelhante mas, desta vez, com a actuação da orquestra do navio que bem se esforça para amenizar a tristeza que, por aqui, é moeda corrente.
Conheço o saxofonista que tocou na ‘Pax-Júlia’, orquestra lá do burgo, Beja depois dos romanos e dos árabes, que animava os inesquecíveis bailes da minha juventude (capa e batina, meninas atracadas, caras encostadas, ligeiros toques de coxas, discretas apalpadelas, os avanços possíveis, com tímidos e disfarçados gozos de ambas as partes, longe dos olhares dos pais - no bar, no cervejame - e das mães - nas mesas cheias de pirolitos e laranjadas - vigilantes, guardadoras dos bons costumes. Lá íamos, coração aos saltos pelo medo de uma 'tampa' e, cerimoniosamente saía "A menina dança?". E depois eram os tangos, as valsas, os 'paso dobles', o 'twist', o ié-ié, folia até de madrugada. Bons tempos, digo eu agora, parecendo um velho a desfiar memórias.
E, depois das valentes musicadelas, outra vez as cartas: mais sueca, mais king, mais bridge, mais paciências. E amanhã e depois e depois, certamente, assim será. Como nota humorística nesta noite monótona, apenas a caça ao alferes iniciada por um tenente-capelão da Marinha, maricão exibicionista, que nos acompanha e se mostra mais interessado na carne dos homens do que na salvação da sua alma, irremediavelmente dividido entre o desejo de ver o ‘Niassa‘ transformado, por artes mágicas, numa mini-Sodoma e a doutrina que o obriga à obediência aos divinos Mandamentos. Não teve sorte na caçada o representante da lusa cleresia. Felizmente, a mim não me veio farejar e se o tivesse feito lá teria de o mandar fazer companhia ao taxista que me deixou no Cais da Rocha do Conde de Óbidos.
Farto, regressei ao camarote para te dar, em recato, os beijos que aqui ficam em envelope fechado até Bissau, de onde os enviarei com muitas saudades de todos os outros que trocámos ao vivo e que foram muitos, quentes e bons.
Mas estas memórias refrescam minhas chagas, e renovam minhas saudades, porque me vejo morrer em terras alheias.
Teu,
P.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
"A MISÉRIA GLOBAL DO GOVERNO"
ISTO SERÁ MESMO NECESSÁRIO?
Senhores Deputados
Sabemos que, só a partir de 2003, começaram a ser tomadas medidas no sentido de tornar
sustentável o sistema de aposentações da função pública, numa clara e pública confissão da
incompetência dos sucessivos governos para encarar um problema que já era previsível nos
fins da década de 80 (ver adiante)! Desde 2003, o “ataque” aos aposentados intensificou-se,
nalguns casos com justificações aceitáveis.
Foi assim que a idade da aposentação e o tempo para a atingir se foi alterando e
aumentando, ao mesmo tempo que as regras de cálculo das pensões eram também alteradas.
Acabou-se, e bem, com a possibilidade de um aposentado do Estado poder acumular a sua
pensão com qualquer forma de remuneração atribuída por esse mesmo Estado. Chegou-se,
porém, ao exagero de as gratificações, ou senhas de presença, por se ser membro de uma
Comissão qualquer, prevista na lei, não poderem ser recebidas quando se é pensionista. Há,
assim, aposentados a trabalhar em Comissões legalmente criadas, sem poderem sequer
receber senhas de presença, por exemplo.
A irresponsabilidade dos sucessivos governos acabou por nos levar à situação de
dependência em que nos encontramos, com a obrigação de cumprir um Memorando de
Entendimento que tem trazido a miséria a muitos portugueses. A convergência dos sistemas,
público e privado de pensões, estava entre as medidas previstas no Memorando, não dando,
contudo, indicações específicas sobre o modo de o fazer.
O atual governo demonstrou, há mais de um ano, em especial através do Primeiro-Ministro,
uma propensão para lançar privados contra públicos e novos contra velhos, manifestando
claramente uma aversão aos aposentados em geral (Contribuição Extraordinária de
Solidariedade) e, de entre estes, aos da função pública. Não admira, portanto, que tente
levar avante a sua ideia de penalizar estes últimos, através de uma proposta de legislação,
aprovada em Setembro de 2013, que lhes retira, de um dia para o outro, uma parte
considerável das suas pensões, sem qualquer preocupação com uma transição a que o
Estado nos tem habituado.
Dir-se-á que, na situação em que o país se encontra, tal seria inevitável, mais tarde ou mais
cedo. Mas não basta afirmar: é necessário provar.
Sejamos claros.
Não me custa, absolutamente nada, admitir que, numa situação de emergência, como a atual,
o Estado se veja obrigado a quebrar algumas partes dos seus contratos e não faço disso um
segredo. Escandaliza-me muito, porém, que esse mesmo Estado ataque de maneira
despudorada os que menos recebem, os desempregados e os doentes. Escandaliza-me que
esse Estado determine cortes, recorrendo ao fomento da discórdia entre gerações e entre
diferentes grupos de trabalhadores. Escandaliza-me que esse Estado “esqueça” a sua
própria responsabilidade na situação criada e venha, agora, querer dar a entender que são
os reformados e os funcionários públicos a origem de todos os males e os culpados pela
situação, como se tivessem sido eles a elaborar as leis que os conduziram à condição de
“privilegiados”. Escandaliza-me que um Estado responsável admita, em nome de uma
equidade que só ele entende, tratar os atuais funcionários públicos como uma classe a abater.
Aceito mal que, numa deriva de “tiro aos reformados”, esse Estado tenha até admitido a
existência de uma “TSU” (aparentemente abandonada, por agora) com um valor não
justificado, porque não sustentado em estudos, e, portanto, arbitrário, criando uma situação
de desconfiança que, para além da injustiça a criar, pode gerar uma grave convulsão social.
Mas não devem restar dúvidas de que há desigualdades que importa diminuir ou eliminar,
sendo a fórmula de cálculo das pensões dos atuais aposentados, que entraram para o Estado
antes de 1993, uma das que deve ser discutida e encarada. A correção pode, ou não, ser a
proposta e ser gradual. Tal depende da real situação das “finanças” da CGA, mas tendo
muito em conta os constrangimentos que lhe têm sido impostos (por exemplo, não recebe
subscritores desde 2005, creio eu).
Senhores Deputados
Sabemos que, só a partir de 2003, começaram a ser tomadas medidas no sentido de tornar
sustentável o sistema de aposentações da função pública, numa clara e pública confissão da
incompetência dos sucessivos governos para encarar um problema que já era previsível nos
fins da década de 80 (ver adiante)! Desde 2003, o “ataque” aos aposentados intensificou-se,
nalguns casos com justificações aceitáveis.
Foi assim que a idade da aposentação e o tempo para a atingir se foi alterando e
aumentando, ao mesmo tempo que as regras de cálculo das pensões eram também alteradas.
Acabou-se, e bem, com a possibilidade de um aposentado do Estado poder acumular a sua
pensão com qualquer forma de remuneração atribuída por esse mesmo Estado. Chegou-se,
porém, ao exagero de as gratificações, ou senhas de presença, por se ser membro de uma
Comissão qualquer, prevista na lei, não poderem ser recebidas quando se é pensionista. Há,
assim, aposentados a trabalhar em Comissões legalmente criadas, sem poderem sequer
receber senhas de presença, por exemplo.
A irresponsabilidade dos sucessivos governos acabou por nos levar à situação de
dependência em que nos encontramos, com a obrigação de cumprir um Memorando de
Entendimento que tem trazido a miséria a muitos portugueses. A convergência dos sistemas,
público e privado de pensões, estava entre as medidas previstas no Memorando, não dando,
contudo, indicações específicas sobre o modo de o fazer.
O atual governo demonstrou, há mais de um ano, em especial através do Primeiro-Ministro,
uma propensão para lançar privados contra públicos e novos contra velhos, manifestando
claramente uma aversão aos aposentados em geral (Contribuição Extraordinária de
Solidariedade) e, de entre estes, aos da função pública. Não admira, portanto, que tente
levar avante a sua ideia de penalizar estes últimos, através de uma proposta de legislação,
aprovada em Setembro de 2013, que lhes retira, de um dia para o outro, uma parte
considerável das suas pensões, sem qualquer preocupação com uma transição a que o
Estado nos tem habituado.
Dir-se-á que, na situação em que o país se encontra, tal seria inevitável, mais tarde ou mais
cedo. Mas não basta afirmar: é necessário provar.
Sejamos claros.
Não me custa, absolutamente nada, admitir que, numa situação de emergência, como a atual,
o Estado se veja obrigado a quebrar algumas partes dos seus contratos e não faço disso um
segredo. Escandaliza-me muito, porém, que esse mesmo Estado ataque de maneira
despudorada os que menos recebem, os desempregados e os doentes. Escandaliza-me que
esse Estado determine cortes, recorrendo ao fomento da discórdia entre gerações e entre
diferentes grupos de trabalhadores. Escandaliza-me que esse Estado “esqueça” a sua
própria responsabilidade na situação criada e venha, agora, querer dar a entender que são
os reformados e os funcionários públicos a origem de todos os males e os culpados pela
situação, como se tivessem sido eles a elaborar as leis que os conduziram à condição de
“privilegiados”. Escandaliza-me que um Estado responsável admita, em nome de uma
equidade que só ele entende, tratar os atuais funcionários públicos como uma classe a abater.
Aceito mal que, numa deriva de “tiro aos reformados”, esse Estado tenha até admitido a
existência de uma “TSU” (aparentemente abandonada, por agora) com um valor não
justificado, porque não sustentado em estudos, e, portanto, arbitrário, criando uma situação
de desconfiança que, para além da injustiça a criar, pode gerar uma grave convulsão social.
Mas não devem restar dúvidas de que há desigualdades que importa diminuir ou eliminar,
sendo a fórmula de cálculo das pensões dos atuais aposentados, que entraram para o Estado
antes de 1993, uma das que deve ser discutida e encarada. A correção pode, ou não, ser a
proposta e ser gradual. Tal depende da real situação das “finanças” da CGA, mas tendo
muito em conta os constrangimentos que lhe têm sido impostos (por exemplo, não recebe
subscritores desde 2005, creio eu).
Dito isto, é claro que considero saudável que essa discussão se faça e que sejam encontradas
soluções que podem passar por um corte imediato ou progressivo, com a correção da
fórmula de cálculo. Mas tal só deve ser feito após se esclarecerem algumas questões e se
desfazerem algumas mentiras:
1. Afirma-se que a CGA está sem dinheiro para pagar pensões. Tal não é de espantar –
o patrão Estado, só a partir de meados desta década, começou a pagar a sua parte, como
fazem os privados, não podendo, por isso essa verba ter sido capitalizada quando tal ainda
era possível; desde 2005 não há novos funcionários a descontar, pelo que, aumentando o
número de aposentados, o sistema vai mirrando. Será que o governo será capaz de dizer isso
aos contribuintes, isto é, que foi o Estado que criou esta situação?
2. As regras da aposentação dos funcionários públicos têm vindo a ser apertadas (e bem)
desde 2003, em mudanças sucessivas da lei, aproximando os regimes. Está o governo em
condições de informar quanto já se “poupou” com estas alterações, por que razão elas ainda
não chegam e o que foi feito do dinheiro? Suponho que sei, mas a maioria dos aposentados,
que já sentiram as consequências das diferentes medidas, pensava que estas eram suficientes.
Se não eram, por que razão não lhes foi dito e explicado atempadamente, apanhando-os
agora desprevenidos? E será que eram mesmo insuficientes? Ou aproveita-se a onda de
cortes e põe-se tudo no mesmo saco? Não se trata de uma medida estrutural pois só durará
enquanto eles vivem e não é de esperar que seja, em média, muito mais do que uma década.
3. Tem o Primeiro-Ministro razão quando diz que descontámos para ter pensões (CGA
e regime geral), mas não “estas pensões”. Na verdade, não é preciso ser cínico para dizer
que era possível prever que tal iria acontecer – o Estado deixou de ser pessoa de bem há
muito tempo e isso prova-se pelas malfeitorias que tem aplicado aos cidadãos, forçado, pela
incompetência dos governos, a cortar nas despesas e a aumentar as receitas (estas são só
algumas entre outras). No limite, se o Primeiro-Ministro não clarifica, a conclusão a que se
pode chegar é que descontámos (os atuais aposentados e os que virão a aposentar-se) uma
brutalidade para ter pensões não compatíveis com esses descontos. Quererá o Primeiro-
Ministro explicar, se for esse o caso, que a sua intenção não era pôr novos contra velhos? Se
não era, tiveram esse efeito.
4. Na primeira parte da década de 90 (ou fim da década de 80!), o Conselho de Reitores
das Universidades Portuguesas, prevendo que se poderia chegar ao ponto a que chegámos
(não tão grave, pois era precisa muita imaginação) propôs ao Governo que permitisse que se
pudesse pôr, a título voluntário, um limite às pensões (neste caso dos membros das
Universidades, pois só para isso tinham legitimidade), com a redução correspondente nos
descontos, deixando a possibilidade de se poder, naturalmente, aderir a um sistema de
seguro, ou algo semelhante. Concorde-se, ou não, com a proposta, verifica-se hoje que ela
tinha a sua razão de ser e até já foi uma hipótese avançada por alguém do atual executivo
(neste momento já é impossível sem riscos apreciáveis). O governo não viabilizou a proposta
e, como tinha a faca e o queijo na mão, ficou tudo na mesma. Convém referir que, na altura,
o sistema da CGA não tinha, de modo algum, um problema semelhante ao de hoje. Com a
negação da hipótese, pelo governo, ficou, naturalmente a convicção de que o Estado
asseguraria o cumprimento do que estava na lei, na altura. Vê-se! Alguém explica isto?
Estou certo que ninguém quer falar do assunto.
5. A situação do país é aquela que se sabe. A incompetência dos governos é a maior
responsável por ela. Não se toca, ou toca-se a fingir, nas PPP’s e nas rendas elétricas.
Poucos são responsabilizados pelos desmandos. Há, diz-se sem que seja negado, centenas ou
milhares de milhões de euros que estão perdidos por negligência ou por ações criminosas.
Vai buscar-se dinheiro sempre aos mesmos, “confiscando-lhes” a sua propriedade, mas não
se cuida de o ir buscar a quem o terá subtraído.
Quererá o governo, em nome do Estado, pedir desculpa aos portugueses pelo descalabro? E
mostrar a sua determinação em corrigir o rumo, sem se esconder numa putativa reforma do
Estado?
Haverá, seguramente, mais perguntas a fazer. Porém, se tiver respostas a estas, e elas forem
convincentes, dar-me-ei por minimamente esclarecido. Pelo menos, servir-me-ão de
justificação para, sem grandes problemas de consciência, poder afirmar que a dita
convergência gradual, ou imediata, tem sentido.
Até ter respostas, recuso-me a ser conivente com esta hipocrisia. Felizmente para mim,
porque no meio desta miséria moral e material ainda sou dos menos prejudicados, não tomo
esta atitude por temer que os cortes me venham a afetar irreversivelmente (repare-se que
aceito o princípio). Tomo-a por entender que os princípios são mais importantes do que o
dinheiro, e devem ser recordados por quem ainda tem a liberdade de os defender (os que
foram levados ao limiar da pobreza estão muito limitados na sua liberdade de expressão).
Os direitos adquiridos não são todos sagrados, mas a confiança nas instituições que nos
governam é (ou deveria ser). E só essa confiança legitima que alguns desses direitos sejam
retirados. Ao que se constata, tudo está invertido: corta-se primeiro e depois quer-se
legitimidade. Já não é só incompetência – é estupidez, teimosia, miopia ou má-fé.
Resta-nos apelar para os deputados para que tenham a coragem de tornar este processo
racional e inteligível, que é o que deles se espera, e porque o governo não o faz nem quer
fazer. Por isso me dirijo a vós.
Virgílio Meira Soares
P.S. – A recente notícia daquilo que já se chama a TSU das viúvas é uma medida abjecta e
em nada contribui para me descansar sobre a boa-fé do governo. Marcar, com estrela, ou
sem estrela, os mais idosos e os mortos, começa a ser demasiadamente preocupante.
sábado, 5 de outubro de 2013
PORTUGAL E AS REPÚBLICAS NO 5 DE OUTUBRO DE 2013
PORTUGAL E AS REPÚBLICAS NO 5 DE OUTUBRO
DE 2013
SENHORAS E SENHORES
MEUS EXTREMOSOS AMIGOS!!!
Ao
ser este ano de 2013 comemorado o centésimo terceiro aniversario da implantação
da primeira República no País uma coisa sobressai desde logo:
-Que os ditos e chamados intrépidos do 5 de Outubro de 1910,
foram, antes demais e de tudo, verdadeiros demagogos, de gargantas soltas,
suadas e afiadas no maquiavelismo de vociferar toda a espécie de
impropérios a que os bofes da
eloquência davam uma convincente e
falsa guardiã impressão de verdade; os
"impolutos" de 1910, que amavam muito mais os ideais do que as
pessoas em concreto (será que se batiam por ideias ou, encarniçadamente queriam
poder e tudo o que este propicia, desde a importância financeira até ao domínio
do lupanar politico?), esses impolutos, salvo algumas excepções, esses homens de
há um século nunca se entenderam e sempre puseram na rua intermitentes guerras
civis que, quando hoje analisadas, levam à verdade insofismável de que se
tratava de bandos fanáticos onde a honra não existia mas o golpe de ancas treinadas com destreza
fazia a batuta movida por mãos malabaristas e por bocas ardorosas na palavra
deitada aos ouvidos de um povo analfabeto, carente e sem cultura!
São,
pois, os arautos, os baluartes de 1910 que levam á materialização da golpada
militar do 28 e Maio de 1926 e à instalação da ditadura com o apoio de grupos
católicos das direitas mais retrógradas, reaccionárias e revanchistas, dos
latifundiários mais abjectos e dos comilões mais ferozes-obrigados estamos
ainda hoje, grata a historia contemporânea fica e verga o seu dorso largo e
possante a esses senhores para prestar guarda de honra ao cortejo fúnebre que
continua a desfilar ante a nossa reface e desafortunada indiferença colectiva…
Foram,
portanto,16 anos de crimes continuados, useiros e vezeiros em liquidar os mais
válidos e em promover os mais lixosos!
Na
verdade, a primeira República, logo que triunfante, assinou um divórcio
insanável, liminar e definitivo com o País em nome do qual e pelo qual fez, na
Rotunda, pelas mãos do destemido e generoso Machado dos Santos a Revolução
triunfante em nome da Paz, do Socialismo
e da Liberdade-Machado dos Santos, esse puro, esse ser humano valoroso como
Fernando Salgueiro Maia ao enfrentar os canhões inimigos-Machado dos Santos,
ele, alguns anos depois assassinado com o Presidente do Ministério, António
Granjo, eles, os valorosos, trucidados na chamada "Noite Sangrenta"!
A
primeira República, mal acabada de implantar e gritada das varandas dos Paços
do Concelho de Lisboa, em apoteose delirante, gerou em todo o País as mais
patéticas avalanches reivindicativas populares que foram estraçalhadas pela
violência das armas do Partido Republicano Português do prolixo legislador Afonso
Augusto da Costa, o torcionário Professor da Faculdade de Direito da
Universidade de Coimbra que também foi o autor
da "Formiga Branca", a policia politica da nova ordem
Republicana-Afonso Costa, o trauliteiro, aquele que depois se exilou em Paris
para fugir á sanha saída de 1926 e, aí, vir a fazer uma advocacia de primoroso,
cuidado e requintado luxo. Espantoso
Afonso Costa!
Mas
que queria o povo, por exemplo o povo das terras Alentejanas para ser
brutalmente espingardeado pela Guarda Nacional Republicana, que queria ele?
Ah!-queria apenas matar a fome, mais pão, mais trabalho e ser mais feliz e em
troca recebia tiroteio, cadeia e ainda mais fome!
A primeira República foi essencialmente um crime organizado, ensaiado e perpetrado
por algozes excitados, maníacos, falsários de falas como brasas feitas de
incendiados patriotismos provincianos, de barriga prenha, de barrigas prenhas
para parir truculência gratuita e populistas promessas enganadoras, semeando
ódios e…
meus senhores, para preparar o terreno à segunda República,
a corporativa, a nazifascista Salazarista-Caetanista que todos nós vivemos lá
vão já trinta e nove anos, institucionalizada em 1933 pela promulgação da
respectiva constituição de inspiração católica com conteúdos doutrinários sociais de Leão
XIII e politicamente inspirada no
fascista Charles Maurras, germanófilo, anti-semita e em outros a quem Salazar
rendeu preito rasgado de homenagem e reconhecimento pela formação ideológica recebida,
como António Sardinha, o cabeça de cartaz máximo do Integralismo Lusitano.
E,
assim, Salazar aparece na arena constitucional, uma extensão e sucursal da
tourada do 28 de Maio-aparece providencial e sacrossanto, determinado por
decisão divina e anunciado pela dignidade cardinalícia chamada Manuel Gonçalves
Cerejeira e por ela apadrinhado, ungido e abençoado em nome de Deus para salvar
uma Pátria que se estendia desde o Minho verde a Timor das montanhas
escarpadas, um País completamente desconhecido por esses novos arautos do bem
comum que, a exemplo dos antepassados, tinham na mão esquerda a bíblia e na
direita o benzido garrote!
Salazar
aparece, aparece imbuído de paternalismo exclusivista, aparece como messiânico
obreiro da segunda Restauração por muitos anos adiada-a primeira tinha sido em
1640.
Salazar
assoma-se à janela da sua "amada" Pátria servindo-se das carências
dos analfabetos e de todos os que queriam ser detentores de um ilusório e falso
poder- o capataz hortelão de Santa Comba dava ossos tuberculosos a miseráveis
depauperados ou a canalhas mais conscientes, todos prostituídos nesse alcoice
luético chamado "Estado Novo".Mas também oferecia benesses de outra
monta a quem, cursado, se dobrava em genuflexões subservientes para aplaudir,
teorizar e justificar o execrável regime de escravidão, mentira e crime no
corpo e na alma do Povo Português!
A
história desta segunda República teocrático-fascista conhecemo-la nós de
sobejo--a Policia Politica com a sua metodologia repressiva de sistemática
destruição de almas e corpos com recursos à barbárie de aplicação de toda a
espécie de atentados físicos, psicológicos, morais, culturais e patrimoniais
impiedosamente executados por frios carrascos da administração industrial de
abate, sincopados como um movimento pendular cego dos relógios da morte lenta
premeditada, os tribunais plenários com juízes comprados e vendidos no mercado
tramposo do regime, as medidas de segurança que remetiam o "culpado"
para indeterminados tempos de cadeia às discricionárias e apetitosas
"volúpias" dos esbirros, a sombra tentacular da fome, da miséria e da
doença, do abandono e da exclusão, a bufaria deste País infectado, as mulheres
sem maridos mais os filhos sem pais, essa miserável guerra colonial que nos
roubou namorados, amantes desde a escola e amigos desde o nosso berço de leite
deixando um rasto de dor, amargura e ódio, sim, ódio, Salazar-Caetano deixaram
ódio no nosso coração, Salazar -Caetano fizeram de nós uma Pátria de assassinos
com milhares de mortos, estropiados e doentes para o resto da vida nesta terra
Portuguesa dobrada como um vime te tristeza, como escreveu o Poeta, sim, vime
de tristeza, nesta terra de Portugal vista de muito longe pelo monóculo míope
do velho camponês de Santa Comba Dão, o "puritano"de conhecidas e
infelizes amásias, sim, para ele o País foi uma horta de semeadura de
podridões e um patíbulo onde se sacrificaram muitas mulheres
e homens das mais diferentes origens e dos mais dispares credos!
Senhoras e Senhores,
meus bons amigos!
Salazar
foi um criminoso requintado e não um Português, o maior de sempre como nos
disseram certo canal televisivo em resultado de um concurso destinado a imbecis
pré fabricados, a analfabetos e manipulados pelos mass media das
horizontalidades dos grandes universos numéricos das competitivas audiências,
lembram-se?
Caetano
foi outro criminoso, de vistas curtas, que se exilou no compadrio da Ditadura
Militar Brasileira enquanto aqui fez sempre o papel de sabujo conveniente e de
tolerado útil!
Amigos,
Que
estamos aqui a fazer neste 5 de Outubro de 2013? Que estamos a fazer aqui? -
Penso que nada fazemos aqui hoje em nome do 5 de Outubro de 1910 a não ser
prestar homenagem ao Povo Português esmurrado por Afonso Costa e aos
assassinados da primeira República tanto nas suas emboscadas politicas como
para reprovar a participação deste Pais na Primeira Guerra de 1914-1918, que
foi mais uma obra republicana vital de "acendrado" e "nobre"
patriotismo- nada fazemos aqui hoje em nome dessa data!
Estamos aqui, isso sim, estamos pelo 25 de Abril de
1974 aqui, aqui irmanados pelos mesmos interesses, os interesses que nos
suscitam esta terceira República que caminha aos tombos como um navio
abalroado- estamos aqui porque o 25 de Abril acontece nesta outonal vivencia da
nossa escavacada terceira República!
Antigamente
o 5 de Outubro era um pretexto para agitar aquele pantanoso viver de pestes
feito com cargas policiais em resposta, mas hoje o nosso 25 de Abril, que
acontece em Outubro, agora mesmo, serve para repudiar trapaceiros descarados e
declarar guerra aberta a gatunos engravatados e a criminosos que andam à solta
e se passeiam neste País em ruínas.
Na verdade é catastrófico o estado do nosso
Estado politico, social, civi-
co, cultural, humano, de aberrações e desequilíbrios ao mais
baixo nível, é ruinoso o nosso Estado e traduz bem a baixeza dos
comportamentos, a vileza da desagregação das honestidades e o total desprezo
pela dignidade a que tem conduzido as
impopulares medidas praticadas pelo governo actual usando indevidamente
o nosso Bilhete de Identidade Colectiva, a paz das nossas casas e dos nossos
familiares e amigos.
Hoje
a terceira República é um ninho de milhafres, uma barbacã pestilenta onde se
acoitam cavilosos malfeitores, um charco de sujidades sem a virgindade azul dos
tranquilos lagos onde as crianças brinquem e os adultos as possam admirar com
serenidade. Hoje, Portugal é um aborto, um nado morto velado à lamparina
remelosa de todas as manifestações da soez oficialidade governamental, dessa
emporca-
lhada malfeitoria que se chama roubo, mentira e desvario
politico- Portugal é agora a voz altiva da ladroeira que soa mais alto do que o
silencio das chagas vivas daqueles que permanecem amodorrados pelo narcótico
injectado nas suas veias, nas suas veias, naquelas que jorraram sangue puro em
toda a Historia Portuguesa e agora o vertem, de vagarzinho, muito devagar para
que o prolongamento da vida ainda possa assistir à derrocada final da criminosa
governação PPD-CDS- Portugal é hoje a expressão fiel de um certo oportunismo de
imundícies, bem caracterizado, económica, financeira e politicamente enodoado
por moços de fretes dos banqueiros e dos mercados agressivos do nosso tempo nesta
mundialização que tem o pior dos sentidos e o mais asqueroso dos significados
ou seja, a exploração sem fronteiras e o desplante sem qualquer moral
frenadora- Portugal continua a ser, nesta terceira República, um incesto que
fabrica tarados de lupanar e monstros sem rosto ou de cara esquálida sem
expressão humana.
Portugal
é uma mancebia entre a agonia e a morte num estado em destroços!
Não
basta afirmar e provar que a recessão é um facto e a consequência da globalização do uso indevido do dinheiro
das economias estatais e das poupanças de privados, já não chega nada mais
quando se permite a falência técnica dos patrões carnívoros, malabares prestidigitadores
e se permite que estes transfiram as suas empresas para países de mão de obra
barata ou onde o pagamento de impostos é menor, já é tarde para continuar a
mentir e a enganar, explorando a boa fé e trucidando as dignidades- é a hora de
matar, é a hora de fazer o funeral ao Pais! E fazem-no ao preço mais barato dos
cangalheiros oficiais enriquecidos e ao mais caro para as inocências e misérias
atrozes daqueles que gemem porque são os mais desvalidos e fracos!
Quem
os defende?
Meus Senhores!
Já
não é urgente demonstrar que o capitalista banqueiro, cada vez mais enriquecido
porque é ele o patrão que financia outros patrões da mesma laia que tudo
vendilham, já não é novidade que o capitalista actual como o do passado,
trafica os filhos, faz da sua mulher um objecto venal, da mãe uma meretriz a
qualquer preço como mercadoria rentável, vende tudo sem remorsos, sempre, em
nome do seu deus milhão- já não é novidade. Já não é novidade que a actual
governação está a soldo de inomináveis nojentos e de bandidos de voz melosa,
não é mais preciso demonstras que os documentos swaps são destruídos para
encobrir a gatunagem!
Queridas Senhoras e Senhores-
Meus Companheiros!
Como
a exemplo das anteriores Repúblicas que tiveram os seus lacaios e caciques, os
seus eunucos, os seus trauliteiros e mercenários que defendiam e defendem o
dono com a lambidela da mão e a dentada na pele do outro, sempre que precisa, a
República pós 25 de Abril, a que vivemos hoje, em 2013, essa tem a moderna
agressão neoliberal com os seus doutores e gestores saídos das universidades
mais rascas, gentalha do pior cariz, nariz erguido a cheirar o dejecto saído do
rabo do dono para mascar, cauda entre as pernas, lampeiros, a bosta, o
rebotalho, o bagaço que sobra. Estes são os intermediários do execrável governo
PPD-CDS, assassino dos Portugueses em
nome da República, pela lei democrática e pela grei, em nome da família
Portuguesa e de Deus misericordioso, pela conformada servidão, em nome da
paciência!
Na
verdade deve ser afirmado que este governo, sendo fantoche porque a soldo de
vários cordelinhos puxados de diferentes latitudes, nunca desempenhou um papel activo na governação do Pais, tendo
sempre feito uma careta hipócrita cénica à boca da ribalta politica senão não
se lhe podia chamar cínico nas variadíssimas representações do teatro Nacional
e Internacional- na verdade este governo tem e teve a integrá-lo sempre figuras
de cordel, inqualificáveis bufões de ridículo frenesim psicótico que são
capazes de fazer chorar a plateia somente porque o seu papel é de
contrabandistas vestidos de "seriedade", perfumados com cheiros
estonteantes que intoxicam e maquilhados nos camarins das amantizações como
rameiras delidas, lábios virginalmente falsos, pés que pisam elegantemente o
palco mas de almas devassas e sidosas que animam as figuras burlescas desta
nova Comédia Dell'Arte Portuguesa, onde os Arlequins nacionais cantam a balada
da trapalhice e as falsárias Columbinas os trocam facilmente por Pierrots de
conveniência!
Efectivamente
este governo PPD-CDS é um atentado à integridade nacional, um apêndice
apodrecido da democracia e, mais do que tudo, um governo carniceiro que tem
morto os Portugueses nos abatedouros industriais colectivos do sacrifício
inglório e da carnificina deliberada!
Efectivamente
o governo PPD-CDS é um crime de holopatia orgânica PPD-CDS, um retrato
fidelíssimo de sociopatas e a meta almejada como produto final fidedigno da
administração e do marketing endoidecidos de toda a negação humana e politica
em Portugal de 2013.O governo PPD-CDS é, pois, o maior crime colectivo da
genealogia constitucional da Nação desde 25 de Abril de 1974 em legalidade
democrática e em liberdade politica. Mas isso não justifica que o possamos
suportar quando a politica passa a ser um crime e a democracia toma foros de
jurisprudência aberrante!
Todos
os dias vemos, ouvimos e lemos, como escreveu a Sofia de Melo Brayner Andersen
e cantava o Francisco Fanhais, vemos, ouvimos e lemos noticias de roubos de
capitais por agentes governamentais que enriquecem pelo logro e pela mentira,
diariamente se descobrem intrujões do governo, outros ligados à administração
publica, outros das varias parcerias púbico privadas, outros que, tendo estado
no governo ou governos, são ou foram grandes chupistas do sangue do País- um
exército de gatunos, uma chusma de corrompidos, um bando de flibusteiros sem
credito ou qualquer moral. Este é hoje um Pais da ratonice de falcões velozes e
de gaviões que operam em espaços curtos- um Pais empobrecido economicamente,
financeiramente, moralmente exaurido de novos valores cívicos de cidadania,
hoje somos um espaço ensolarado para turista, uma coutada retalhada às postas
onde a celebre expressão de Cambronne, ou seja MERDA, corre a céu aberto das
bocas e dos comportamentos dos actuais governantes PPD-CDSs!
Na
verdade crua e desnudada de quaisquer fantasias Portugal mostra-se hoje com uma
mão á frente e outra atrás, retalhado às postas e vendido ao desbarato, cheio
de negociantes inescrupulosos que convidam para discípulos outros mixordeiros
do pior jaez que continuam a estraçalhar e a desmoralizar os Portugueses.
Portugal
do PPD-CDS é hoje um ultraje, um gargalho da depravação cuspido no rosto de
Portugal - a politica PPD-CDS é criminosa, desavergonhada, oportunista, é a politica
dos vampiros e dos bêbedos do poder que têm orgasmos espúrios no deleite
doentio da insensatez com que espoliam os restos que ainda sobram do tutano
Nacional.
Assim,
as cargas fiscais do "inteligente" verdugo Vítor Gaspar, o autista, o
incompetente, o ranhoso, o neurótico larapio, o que em nenhuma previsão
acertou, os salários muito baixos e as reformas diminuídas e taxadas, a
extinção de empresas, o aumento galopante do desemprego, a avalanche migratória
de inteligências e de braços de trabalho, o crescimento da marginalidade, a
velhacaria e a estultícia de Paulo Portas, adestrado manejador da e na
"arte"da estocada desde os velhos tempos do "Independente" com
os vários escândalos que o envolvem, os casos Relvas, Maria Luís Albuquerque,
Rui Machete, o violino da banda, Assunção Esteves que tem mensalmente cerca de
dez mil euros e se atreveu chamar nazi a quem, na Assembleia da República, das
galerias destinadas aos cidadãos, se manifestou, Assunção Esteves, a reformada
aos 42 anos do Tribunal Constitucional onde trabalhou dez anos, toda a ganga
que esta politica PPD-CDS produz é, afinal, o resultado da sua não participação no processo de cidadania de
que os governantes deviam fazer a mais elevada e sensível pedra de toque da
elevação da própria governação, mas o seu laxismo de governantes, o seu madraço
afastamento dos cidadãos contribuintes e eleitores fazem precisamente o
contrário- roubar, roubar e roubar, eis o principal objectivo do virtuoso
maestro desta sinfonia lúgubre que é o estúpido, ignorante crasso, teimoso e
burro Pedro Passos Coelho parafascista, agarrado ao mando como as lapas às
rochas da praia, de cujas mãos a poetisa e prosadora Maria Teresa Horta se recusou,
peremptoriamente, a receber um galardão literário!
Portugal é uma terra
de vigaristas, meus senhores!
Vigaristas e
tubarões, competentes apenas no roubo e na mentira!
Depois,
e depois, depois temos ainda e assim um espécime raro de tartufo chamado Presidente da República também
envolvido em alguns malabarismos do antigamente e de agora quando ainda
continua a escrever e muito melhor do que ele, Molliére, claro se torna, a
inacabada comédia de Mollière porque a este
lhe faltava o fôlego da sofisticação da impressionante comicidade que o
Professor da Fonte de Boliqueime consegue
pôr em tudo o que faz, diz ou escreve.
Canibal
António Cavaco e Silva, em cuja cabeça moram cifrões, teorias económicas e
financeiras para tornar mais ricos os poderosos como sempre o fez e criado dos quais
foi e até ao final da vida o vai ser, e mais pobres os pobres, é o máximo
conivente no e pelo estado da Terceira República e da politica retrógrada
anti-Portuguesa, antipatriótica e antipopular praticada pelo burgesso Passos
Coelho que leu um ordinário manual de politica e pelo seu complementar elenco
de felinos, por exemplo, Mota Soares que diz que a sopa dos pobres é boa porque
é um exercício da caridade Cristã (que morra bem de pressa para ficar junto de
deus este mocinho pascácio que marida
com Passos Coelho !)! - Cavaco Silva atasca-se em lodo porque não demite o
governo que apadrinha tanto fora como no "mentidero" do Palácio de S.
Bento ainda que se não encontre lá, Canibal Cavaco Silva não tem ódios e por isso,
abraça paternamente Paulo Portas, esquecendo todas as afrontas passadas o que
também é uma maneira subtil de materializar um ódio amassado com o azedo
fermento da vingança que rendeu muitos juros de mora agora pagos, Cavaco Silva,
o simpático analfabeto algarvio metafórico, aquele que não tem a mínima
preparação cultural, humanística, humana, que não sabe falar direito ou que em
cada cinco frases estudadas diz o dobro das asneiras, sempre convencido e
compenetrado na sua poupinha de laca seca e gravata de nó em coração, tão lindo
e estimado, não é mais que uma bruma volátil que se esvai ou um ai magoado que
alivia o peso bruto da vida que subiu a pulso, egoísta, de olho no umbigo, este
senhor presidente é um eflúvio pálido de estadista à bruxuleante luz dos
preceitos constitucionais em que alicerça a sua dignidade de fantasia e de
convencimento.
Em
prosaica terminologia Aníbal Cavaco Silva é um audacioso trepador egotista,
um Romeu envelhecido que namora o poder e dele se tem servido para crescer
sempre sem um sorriso fresco ou um gesto de solidariedade- Anibal Cavaco Silva
é a audácia do PPD, Anibal Cavaco Silva é a mais "lídima" pureza da
contradição porque ao seduzir, engana e, ao enganar come, chupa e morde os
beiços de matreiro feliz pelos golpes de atrevimento e da "sorte" com
que a politica tem prendado a manipulação de todo o seu percurso ziguezagueante,
quer lambendo patrões quer tomando a posição de patrão, quer mentindo, quer
afastando-se cada vez mais de toda a gente- Anibal Cavaco Silva é um suspiro
derradeiro dentro da assimetria de um balão apertado pelas tenazes de quase
vinte anos de profissionalismo politico- Anibal Cavaco Silva é a metafísica da
coligação PPD-CDS e a utopia dardejante de si mesmo, o feliz, o autentico, o
realizado politico que come à custa da miséria dos Portugueses de 2013!
Como
primeiro ministro Canibal Cavaco Silva recebia um bilião de escudos diariamente
e mandou abater barcos de pesca e na agricultura deu golpes mortais, agora,
como Presidente da República em duplicado, Anibal Cavaco Silva diz que o futuro
do País está no mar e no campo- extraordinário Cavaco!
Por
tudo Canibal Cavaco Silva é um concubino do governo PPD--CDS que tolera toda a
injustiça social que devora Portugal- cá dentro é mais um tirano com renques de
nódoas negras na gramática que fazem rir um povo afligido que já se não
alimenta por si mesmo mas que vai à sopa pública dos pobres e às iniciativas da
moderna Isabel Jonett e lá fora serve de
gáudio para erguer a troça internacional em bandeira ridícula pelas fífias que
dele fazem um Chefe de Estado pífio, oligofrénico e sem sentido da politica
extrema credível de representação de um País- País envergonhado, acabrunhado e
que mendiga pão e trabalho!
Anibal
Cavaco Silva é mesmo mentalmente desonrado e desonesto, desonrado porque não
respeita nem honra a tradição cientifica da sua antiga escola, por onde passou Bento
de Jesus Caraça, grande pedagogo e homem de cultura universal de quem foi professor o matemático Mira Fernandes, de
renome internacional, professor também dos Institutos Comercial de Lisboa e
Superior técnico, não honra nem pelo nível mental nem pela cultura caseira,
sequer pelo esforço que nunca fez em
acompanhar as manifestações do humanismo universitário e cultural, é desonrado por
isto, é desonesto porque não cumpre o preceito constitucional que manda
dissolver a Assembleia da República e varrer a lixeira em que o governo PPD-CDS
transformou o País!
Minhas senhoras e
senhores!
Meus queridos amigos!
A
ânsia de subir na vida está bem patente na autobiografia de Cavaco Silva
tornada publica por "Temas e Debates" em 2002, no primeiro volume e
aí, numa prosa melada que procuro entender, mostra-se grato pela domesticação
paterna que o vai conduzir a ser um
óptimo cumpridor e um excelente triunfador na sua vida pessoal, quase mesmo se
arrependendo por ter feito tropelias porque tinha de ser um homem útil a si
mesmo e ao País, um homem proveniente daquele Algarve mesquinho e apenas com o
sentido do brio pessoal e do êxito profissional- nada mais que o brio pessoal,
só o brio pessoal para o qual a respectiva ascensão académica a família
"pobrezinha" não foi capaz de
oferecer mais alternativas, reconhece-o ele a páginas tantas… Mas isso foi
muito bom, o brio pessoal é um enorme estimulo para se ser alguma coisa de
grande significado na vida, não somente individual mas também que possa
reverter em beneficio de utilidade para o bem da comunidade em que se está inserido
e de que se é proveniente...
Ora Cavaco não fez isso pois as suas vivencias conduziram-no
a um estado de egocentrismo pessoal condenável e a uma mediocridade mental
assustadora para o País e para toda a
comunidade humanística que considera a cultura e a sabedoria o apogeu cívico da
elevação participativa na vida e na feitura de melhores dias de felicidade
humana e alegria de estar vivo para toda a gente!
Infelizmente
o Professor Doutor Aníbal António Cavaco e Silva é não só um arquétipo da
desgraça mental, um exemplo vivo do embuste politico e um pouco- chinho de gente que delapidou esperanças e
amarfanha o País com o seu discurso alam-
-bicado, completamente sem nada, uma pobre rapalha que se
soltou de si e que o vento arrasta pelo ar como alguma coisa que não presta
para nada mesmo!
Amigos!
Se
a grande pecha da coligação PPD-CDS é estar agarrada ao poder como os ditadores
que o não largam a não ser pela violência, há outras atitudes próprias de
ditadores em Portugal deste 2013- a policia nas ruas em tempo de manifestações
com agentes à paisana para prender e identificar cidadãos ou a bufaria nos
empregos para delatar quem não concorda, há a colonização mental politica
levada a cabo pela coligação PPD-CDS, há a banalização de toda a espécie de
violência que atravessa os discursos da "inteligência" oficial
consagrada e a sua praxis, há a venda do património moral, cultural, económico
e humano do País, há toda a mamata que enche os estômagos destes linces
assanhados e a banalização que eles fazem de todo o sofrimento do País- o
governo PPD-CDS é ditatorial e tornou-se nojento!
Quanto
ao brioso, escrupuloso, cumpridor, quanto ao político incorrupto, aquele que
subiu a corda da vida a pulso forte e honesto e pisou os degraus da grandeza da
realização pessoal, quanto ao Professor Doutor Aníbal António Cavaco e Silva, o
asséptico em linha recta como pessoa indevassável, quanto a ele, lembro que
deve pôr todas as grãn-cruzes e colares ao peito que ganhou em todas as
quermesses, e são muitas, e são muitas, os diplomas que o consagram como um
grande "intelectual" e que deve passear-se com todas essas bugigangas
falidas nas ruas do Pais por uma simples e trivial razão- sabem qual é a razão pela
qual deve exibir medalhas, galardões, diplomas e atirá-los ao rioTejo que lava
todas as imundices ou mete-los na sanita, descarregando o autoclismo, sabem a
razão pela qual deve fazer isso, sabem? Essa razão vai a seguir…
Companheiros!
Há na Historia
Portuguesa recente, tão recente que tem trinta e nove anos apenas, há nessa
historia, filha dos nossos dias mais sagrados e puros, há na alegria dos dias
dessa historia que se vai tornando cada vez mais historia, nela há um homem da
Escola Pratica de Cavalaria de Santarém chamado Fernando José Salgueiro Maia,
um homem humilde, filho de gente
humílima, licencido em Ciências Politicas e Sociais pela
Universidade Clássica de Lisboa, um homem que todos os postos políticos e
diplomáticos rejeitou, um homem de negros colhões, há um homem a quem Canibal António Cavaco e Silva ofendeu
violentamente!
Passo
a transcrever pela razão apontada há pouco aquilo que a explica cabalmente:
Cavaco Silva vai finalmente homenagear
Salgueiro Maia, considerado o mais lídimo dos capitães de Abril. No âmbito das
comemorações do 10 de Junho, que este ano decorrem na cidade de Santarém, o
Presidente da República irá depositar uma coroa de flores junto à estátua de
Salgueiro Maia.
Há vinte anos, quando era primeiro-ministro, Cavaco
Silva recusou-se a conceder àquele militar uma pensão "por serviços
excepcionais e relevantes". A atitude do então chefe do Governo provocou
um sonoro coro de protestos, tanto mais que foi conhecida aquando da concessão
de uma idêntica pensão a dois inspectores da extinta PIDE/DGS.
Contactada pelo Expresso, a viúva de Salgueiro Maia
manifestou a sua "satisfação" pela homenagem que o Presidente decidiu
prestar ao capitão de artilharia, responsável pela rendição de Marcelo Caetano
no quartel do Carmo, na tarde de 25 de Abril de 1974. Natércia Maia não conhece
pessoalmente Cavaco Silva. "Só me cruzei com ele uma vez, quando António
Guterres tomou posse como primeiro-ministro. Não estava à espera desta
homenagem e fiquei contente, pelo que representa de reconhecimento do papel do
meu marido e dos valores com que ele sempre se identificou".
Natércia Maia estará presente, às 10 horas da manhã do
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, junto ao monumento
erguido ao seu marido. O mesmo não acontecerá com o presidente da Associação 25
de Abril. "Nós não fomos convidados e só soubemos pelos jornais",
lamentou o coronel Vasco Lourenço. "Neste caso aplica-se o ditado: a
casamentos e baptizados...". Vasco Lourenço observou que a associação que
lidera "nunca foi convidada pelo Presidente Cavaco Silva para as
cerimónias do 10 de Junho. Ao contrário do que sucedeu com os anteriores
Presidentes da República".
Em 1988, o próprio Salgueiro Maia requereu a concessão
de uma pensão destinada a contemplar os chamados "serviços excepcionais ou
relevantes prestados ao país". A atribuição daquela pensão dependia
obrigatoriamente de um parecer favorável do Conselho Consultivo da Procuradoria
Geral da República. Com data de 22 de Junho de 1989, o parecer, votado por
unanimidade, sublinhava que "o êxito da Revolução muito ficou a dever ao
comportamento valoroso e denodado daquele que foi apodado de Grande Operacional
do 25 de Abril". Enviado ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças,
o parecer nunca foi homologado.
Esta recusa só viria a ser conhecida três anos depois,
quando o executivo de Cavaco concedeu a mesma pensão a dois inspectores da
extinta PIDE/DGS, António Augusto Bernardo e Óscar Cardoso. Bernardo foi o
último chefe da delegação da DGS em Cabo Verde, enquanto Cardoso foi um dos
pides que se entrincheiraram na sede da rua António Maria Cardoso e que fizeram
fogo sobre uma pequena multidão, tendo causado os únicos quatro mortos da revolução.
Esta estranha dualidade de critérios do Governo
provocou uma enorme tempestade política, que culminou com um polémico processo
judicial instaurado pelo Supremo Tribunal Militar contra Francisco Sousa
Tavares, devido à virulência das críticas que fizera na sua coluna no jornal
"Público".
Por outro lado, o então Presidente da República, Mário
Soares, também se demarcou ostensivamente. Dois meses depois dos dois ex-pides
serem agraciados, Soares escolheu o Dia das Forças Armadas para condecorar, já
a título póstumo, Salgueiro Maia com a Ordem Militar de Torre e Espada.
A escolha não foi por acaso: era a única condecoração
portuguesa que dava direito a uma pensão...
Texto publicado no
Expresso de 5 de Junho de 2009
AMIGOS MEUS!!!
Canibal
António Cavaco e Silva é um neonazifascista que suporta a tirania do governo
PPD-CDS cujas linhas de orientação são a destruição do estado social, a
repressão e o arregimentar de estúpidos como mais uma arma preciosa- Pedro
Passos Coelho é outro neonazifascista. Abaixo!!!
O
nosso 25 de Abril comemoram-mo-lo nós neste 5 de Outubro de 2013 com flores
brancas de candura imaculada no coração,
na alma erguida, enfebrecida, agarrados uns aos outros, ao querer que não
termina nem torce, à historia, à historia onde haverá sempre mulheres,
homens e crianças que têm sonhos de luz
no olhar dardejante e cravos vermelhos no coração e nos canos das espingardas!
VIVA A LIBERDADE!!!
VIVA UM PORTUGAL MAIS
JUSTO E MAIS FRATERNO PARA TODOS!!!
VIVAM TODOS OS PAÍSES
PELA FRATERNIDADE E PELA JUSTIÇA!!!
VIVA A LIBERDADE!!!
Daniel Nobre Mendes
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